Gestão da Informação

Cada projeto reinventa a governança: falta um plano de gestão da informação

Sem plano organizacional acima do BEP, cada projeto inventa padrões do zero — a função de gestão da informação (§7 da 19650-1) não existe como responsabilidade permanente.

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Problema observado

Cada projeto reinventa a governança — porque não existe plano acima do BEP.

O BEP é o plano de execução do compromisso: como a equipe de entrega vai produzir, verificar e compartilhar a informação de um projeto específico. Mas acima do BEP, a ABNT NBR ISO 19650-1:2022 prevê algo maior: a função de gestão da informação (§7) como responsabilidade organizacional permanente, não como atividade pontual de projeto.

A organização que faz BIM em múltiplos projetos precisa de um plano de gestão da informação que defina — em nível corporativo — como a informação é governada ao longo do ciclo de vida dos seus ativos. Esse plano é onde moram as políticas de fluxo, os padrões de informação, os critérios de aceitação reutilizáveis, a integração com CDE, a vinculação com o OIR corporativo. O BEP de cada projeto instancia esse plano, não o reinventa.

Na prática brasileira, esse plano não existe. Cada projeto inventa o próprio BEP do zero, cada coordenador adota o próprio padrão, cada contrato negocia regras como se fossem inéditas. A organização "faz BIM" há anos mas não tem memória institucional de como gerir informação — porque a memória mora na cabeça das pessoas, não num plano formal.

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Sinais associados

  1. 1

    Cada BEP começa do zero · a equipe abre um BEP de template externo e preenche como se fosse a primeira vez. Não existe padrão corporativo do qual instanciar — cada projeto reinventa.

  2. 2

    Padrões de informação variam entre projetos · nomenclatura, classificação, fluxo de aprovação e critérios de aceitação diferem de um projeto para outro dentro da mesma organização.

  3. 3

    CDE configurado do zero a cada projeto · sem padrão corporativo de CDE, cada projeto configura estados, permissões e workflow por conta própria. Esforço multiplicado, consistência zero.

  4. 4

    Rotatividade destrói a governança · quando o BIM Manager sai, o projeto perde governança porque ela morava na pessoa, não no plano. O substituto começa do zero.

  5. 5

    OIR corporativo existe mas não se conecta a nenhum BEP · a organização definiu OIR mas não tem plano que traduza OIR em padrões operacionais. Os BEPs de projeto não referenciam o OIR.

  6. 6

    Vocabulário canônico não é compartilhado · cada equipe usa termos diferentes para as mesmas coisas. Sem plano que normalize vocabulário, a comunicação entre projetos é ambígua.

  7. 7

    Lições aprendidas não são capturadas · a §5.8.2 da 19650-2 exige captura de lições aprendidas ao encerrar. Sem plano corporativo que organize essa captura, cada projeto termina e o conhecimento se dissipa.

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Causas prováveis

  1. 1

    BEP confundido com o plano inteiro · a organização acha que ter BEP por projeto é ter gestão da informação. Não é. O BEP é instância de projeto; o plano organizacional é a base de todas as instâncias.

  2. 2

    Gestão da informação tratada como atividade de projeto, não organizacional · a organização não reconhece a função de gestão da informação (§7 da 19650-1) como permanente. Trata como overhead de cada projeto, não como investimento corporativo.

  3. 3

    Ninguém é dono da função de gestão da informação · a §7 da 19650-1 prevê a função como responsabilidade organizacional. Sem profissional nomeado, sem tempo alocado, sem mandato — a função simplesmente não existe.

  4. 4

    ISO 19650-1 §7 não é lida · as equipes brasileiras focam na parte 2 (entrega) e pulam a parte 1 (conceitos). A §7, que institui a função organizacional de gestão da informação, fica invisível.

  5. 5

    Custo percebido sem retorno imediato · elaborar plano corporativo exige investimento em tempo e competência. O retorno — consistência entre projetos, redução de retrabalho, memória institucional — é indireto e distribuído. A organização não prioriza.

  6. 6

    Templates disponíveis são de projeto, não de organização · os templates de BEP circulando no mercado são para projetos específicos. Não existem templates consolidados de plano de gestão da informação organizacional no contexto brasileiro.

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Riscos

  1. 1

    Inconsistência entre projetos da mesma organização · sem plano corporativo, cada projeto adota padrão diferente. Comparar, auditar ou consolidar informações entre projetos é impossível.

  2. 2

    Investimento em BIM sem retorno cumulativo · cada projeto gasta horas definindo padrões que a organização já deveria ter. O investimento se repete em vez de se acumular.

  3. 3

    Rotatividade destrói governança repetidamente · sem plano formal que sobreviva às pessoas, cada troca de profissional reinicia o processo. A organização não retém conhecimento de gestão da informação.

  4. 4

    Certificação ISO 19650 bloqueada · auditor exige evidência de função de gestão da informação em nível organizacional (§7 da 19650-1). BEP por projeto não satisfaz o requisito de governança permanente.

  5. 5

    Lições aprendidas perdidas sistematicamente · sem plano que organize captura e reúso de lições (§5.8.2 da 19650-2), cada projeto termina e o conhecimento morre com ele.

  6. 6

    OIR sem operacionalização · sem plano que traduza OIR em padrões aplicáveis, os requisitos corporativos existem no papel mas não chegam aos projetos.

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Gravidade estimada

3
Gravidade estimada
Nível 2–3
Vai do Nível 2 (Não conformidade moderada) ao Nível 3 (Não conformidade grave), dependendo da extensão do problema.
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Testes recomendados

Todos os testes podem ser executados pelo gestor da informação ou pela alta direção. Baseiam-se na §7 da ABNT NBR ISO 19650-1:2022 (função de gestão da informação) e na operacionalização pela ABNT NBR ISO 19650-2:2022.

Teste 1 — Existe plano de gestão da informação organizacional?

Pergunte à alta direção: "existe um documento formal que defina como a organização governa a informação BIM em todos os seus projetos — padrões, fluxos, papéis, critérios reutilizáveis?"

Sinal de problema: não existe. A governança de informação mora em BEPs de projeto soltos.

Teste 2 — Os BEPs de projeto instanciam um padrão corporativo?

Compare os BEPs de 3 projetos diferentes. Verifique se há base comum: mesma nomenclatura, mesmos estados de CDE, mesmos critérios de aceitação reaproveitados.

Sinal de problema: os 3 BEPs são estruturalmente diferentes. Cada projeto reinventou do zero.

Teste 3 — Alguém é dono da função de gestão da informação?

Verifique: existe profissional nomeado formalmente como responsável pela gestão da informação em nível organizacional (§7 da 19650-1)?

Sinal de problema: a função não existe ou é atribuída informalmente ao BIM Manager de um projeto específico. Ninguém cuida da governança acima dos projetos.

Teste 4 — Lições aprendidas são capturadas e reutilizadas?

Procure o repositório de lições aprendidas dos últimos 3 projetos encerrados (§5.8.2 da 19650-2).

Sinal de problema: não existe repositório, ou existe mas ninguém consulta. As lições morreram com o encerramento do projeto.

Teste 5 — O plano se conecta ao OIR corporativo?

Se o OIR existe, verifique: o plano de gestão da informação referencia e operacionaliza o OIR? Os padrões corporativos derivam dos requisitos declarados no OIR?

Sinal de problema: OIR e plano (se existem) são documentos independentes. A cadeia OIR ao plano ao BEP não está conectada.

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Critérios de conformidade

O problema é considerado resolvido quando todos os itens abaixo forem verdadeiros, em aderência à ABNT NBR ISO 19650-1:2022:

A organização tem plano formal de gestão da informação em nível corporativo — não apenas BEPs de projeto. O plano define padrões, fluxos, papéis e critérios reutilizáveis.

A função de gestão da informação (§7 da 19650-1) está designada como responsabilidade organizacional permanente, com profissional nomeado, tempo alocado e mandato.

Os BEPs de projeto instanciam o plano corporativo — herdam padrões de nomenclatura, estados de CDE, critérios de aceitação e método de verificação, e adicionam apenas o que é específico do projeto.

O plano operacionaliza o OIR corporativo — traduz os requisitos organizacionais em padrões aplicáveis que os BEPs referenciam.

Lições aprendidas são capturadas ao encerrar cada projeto (§5.8.2 da 19650-2) e alimentam o plano corporativo em ciclo de melhoria contínua.

O plano integra o CDE corporativo com padrões de configuração reutilizáveis (estados, permissões, workflow, retenção) que cada projeto instancia.

O plano é versionado, revisado periodicamente e acessível a todos os stakeholders da organização.

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Ações corretivas

Curto prazo (30-45 dias — iniciar o plano):

  1. Nomear responsável pela função de gestão da informação. Profissional com competência em ISO 19650, tempo alocado e mandato organizacional. Sem dono, o plano não sai do papel.

  2. Consolidar o que já existe. Reunir os BEPs, padrões e convenções de projetos anteriores e extrair o que é reutilizável. O plano corporativo nasce da consolidação, não do zero.

  3. Definir os padrões mínimos corporativos. Nomenclatura, estados de CDE, critérios de aceitação base, método de verificação, vocabulário canônico. Estes padrões são o que cada BEP vai herdar.

  4. Vincular ao OIR corporativo. Se o OIR existe, conectar o plano a ele. Se não existe, a elaboração do plano expõe essa lacuna — e o OIR é criado em paralelo.

Médio prazo (60-120 dias — institucionalizar):

  1. Publicar o plano como documento versionado. Acessível a todos os stakeholders, com processo de revisão definido e ciclo de atualização.

  2. Institucionalizar captura de lições aprendidas. Ao encerrar cada projeto, o responsável pela função de gestão da informação captura lições e alimenta o plano.

  3. Treinar equipes para instanciar o plano. Cada BIM Manager de projeto sabe como derivar o BEP do plano corporativo — sem começar do zero.

09

Prevenção

  1. 1

    Plano corporativo antes do primeiro BEP · a organização define o plano antes de iniciar projetos BIM. Os BEPs instanciam, não inventam.

  2. 2

    Função de gestão da informação permanente · o papel existe independente de projetos ativos. É função organizacional, não overhead de projeto.

  3. 3

    Padrões corporativos versionados e acessíveis · nomenclatura, CDE, critérios e método de verificação estão publicados internamente e atualizados.

  4. 4

    Lições aprendidas em ciclo contínuo · cada projeto encerrado alimenta o plano. O plano alimenta cada projeto novo. A organização acumula inteligência.

  5. 5

    OIR conectado ao plano conectado ao BEP · a cadeia OIR ao plano ao BEP é rastreável. Cada BEP justifica seus padrões pela cadeia inteira.

  6. 6

    Onboarding de BIM Manager inclui o plano · novo BIM Manager recebe o plano corporativo antes de escrever seu primeiro BEP. Não começa do zero — instancia.

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Referências normativas

  • ABNT NBR ISO 19650-1:2022Conceitos e princípios. Referência canônica desta página. A §7 estabelece a função de gestão da informação como responsabilidade organizacional permanente — acima do BEP de projeto.
  • ABNT NBR ISO 19650-2:2022Fase de entrega. A §5.1.4-5.1.5 cobre padrões e métodos de produção da informação que o plano corporativo institucionaliza. A §5.8.2 exige captura de lições aprendidas.
  • ABNT NBR ISO 19650-3:2025Fase operacional. A §5.1.1 estende a função de gestão da informação à operação — o plano organizacional precisa cobrir também a fase operacional dos ativos.
  • ABNT NBR ISO 55000Gestão de ativos. O plano de gestão da informação serve à estratégia de gestão de ativos — a conexão entre os dois é explícita no OIR e no AIR.
  • ISO 12911:2023Framework for BIM implementation specification. As BIS corporativas (sufixo B/C) são artefatos do plano de gestão da informação — cláusulas testáveis que cada BEP instancia.
  • ABNT NBR ISO 7817-1:2024Level of information need. O plano corporativo define padrões de LOIN reutilizáveis por tipo de ativo e por propósito — cada BEP os referencia em vez de reinventar.
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Quando contratar ajuda especializada

Elaborar plano de gestão da informação organizacional exige competência cruzada — norma, governança, gestão de ativos. Vale contratar quando:

  • A organização faz BIM em múltiplos projetos e cada um reinventa padrões — o plano corporativo é investimento pontual com retorno multiplicativo.

  • A função de gestão da informação precisa ser criada do zero — estruturar o papel, definir escopo, obter mandato da alta direção.

  • Certificação ISO 19650 é meta — auditor exige evidência de função de gestão da informação organizacional, não apenas BEPs de projeto.

  • A organização quer integrar gestão da informação BIM com gestão de ativos (ISO 55000) — costura que exige domínio das duas normas.

  • rotatividade alta e a governança se perde a cada troca de profissional — o plano formal é a defesa contra a volatilidade.

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Serviço relacionado

Serviço da Coordenar

Plano de gestão da informação

Elaboração do plano de gestão da informação BIM da organização ou do projeto, conduzida pelo Prof. Dr. Leonardo Manzione. A Coordenar estrutura: definição da função de gestão da informação conforme §7 da ABNT NBR ISO 19650-1:2022, papéis e responsabilidades ao longo do ciclo de vida, padrões corporativos de nomenclatura, estados de CDE, critérios de aceitação reutilizáveis, integração com OIR/AIR e políticas de fluxo entre contratante, projetistas, obra e facilities. O entregável inclui o plano formal versionado, workshop de nivelamento com a equipe e apoio à implantação nos primeiros 60 dias. Formato: escopo definido em conjunto com a organização contratante — plano corporativo multi-projeto, plano de projeto único, ou plano para contratante público estruturar seus editais.

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