BIM — Fundamentos

Nível 0, 1, 2, 3: em que estágio de BIM você está?

A organização diz que está no Nível 2 de BIM mas não sabe segundo qual escala. Estágio Succar (2009) e UK BIM Level (PAS 1192-2) são escalas diferentes. Maturidade (Succar 2010) mede outra coisa.

01

Problema observado

"Estamos no Nível 2 de BIM." — e ninguém na sala sabe dizer de que escala está falando.

A frase aparece em reuniões de diretoria, editais públicos, propostas comerciais e até em certificações. Mas quando se pergunta "Nível 2 segundo quem?", a resposta quase sempre é silêncio. Existem pelo menos duas escalas internacionais completamente diferentes que usam os mesmos números — e a confusão entre elas é sistemática.

A primeira é a de Bilal Succar (2009): Estágios BIM 0 a 3, que medem a maturidade metodológica da organização — do CAD isolado à colaboração integrada baseada em modelo. A segunda é a dos BIM Levels britânicos (PAS 1192-2), escala da estratégia governamental do Reino Unido com foco em interoperabilidade e formato de troca. As duas coincidem parcialmente nos números mas têm origem, autoridade e critério diferentes.

Além dos estágios, Succar (2010) formalizou o framework de Maturidade BIM: cinco componentes — tecnologia, processo, política, pessoas e ambiente — que medem quão bem a organização opera dentro de um estágio. Estágio é onde você está; maturidade é quão bem você opera ali. A maioria das organizações confunde os dois e usa "Nível" como rótulo genérico sem embasamento em nenhuma das escalas.

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Sinais associados

  1. 1

    Nível citado sem escala declarada · a organização diz que está no Nível 2 mas não sabe se é Succar, UK BIM Level ou autopercepção sem base.

  2. 2

    Estágio e Maturidade tratados como sinônimos · a equipe usa as duas palavras como se fossem a mesma coisa. Estágio mede posição; Maturidade mede proficiência. São conceitos diferentes.

  3. 3

    Edital pede Nível sem definir · licitação exige BIM Nível 2 sem citar Succar, PAS 1192-2 nem nenhuma outra referência. Cada proponente responde ao nível que imagina.

  4. 4

    Nível como argumento de marketing · a proposta comercial diz que a empresa opera em Nível 2 ou 3, sem evidência, sem diagnóstico, sem critério auditável.

  5. 5

    Diagnóstico de maturidade nunca feito · a organização opera BIM há anos e nunca aplicou o framework dos cinco componentes de Succar (2010). Não sabe onde está nem o que melhorar.

  6. 6

    Confusão entre escala Succar e UK BIM Level · a equipe cita Estágio 2 e Level 2 como se fossem a mesma coisa. São escalas de origens e critérios diferentes.

03

Causas prováveis

  1. 1

    Succar raramente ensinado no Brasil · os dois artigos-fundação de Succar (2009, 2010) são referência internacional. No Brasil, poucos cursos os apresentam. Estágio e Maturidade viram jargão sem base.

  2. 2

    UK BIM Level popularizado sem contexto · a estratégia britânica de BIM circulou globalmente. O número "Level 2" pegou, mas o contexto (estratégia governamental UK, PAS 1192-2) se perdeu.

  3. 3

    Nível parece autoexplicativo · Nível 0, 1, 2, 3 — os números parecem óbvios. Ninguém pergunta segundo qual escala porque assume que há uma só.

  4. 4

    Sem diagnóstico formal · a organização nunca aplicou um framework de maturidade. O nível declarado é autopercepção, não medição.

  5. 5

    Editais copiam de editais anteriores · a exigência de Nível aparece copiada de outra licitação sem verificar a fonte. A ambiguidade se propaga de edital em edital.

04

Riscos

  1. 1

    Edital com exigência inaplicável · licitação exige Nível 2 sem definir. Nenhum proponente sabe o que demonstrar. A exigência existe no papel mas não filtra nada.

  2. 2

    Autopercepção inflada · a organização se declara Nível 2 por modelar em 3D. Pela escala Succar, pode estar no Estágio 1. O plano de evolução parte de premissa falsa.

  3. 3

    Investimento mal direcionado · sem diagnóstico dos cinco componentes (tecnologia, processo, política, pessoas, ambiente), o investimento vai para o componente errado.

  4. 4

    Certificação bloqueada por vocabulário · auditor pede evidência de maturidade e a equipe não sabe qual escala adotar nem o que apresentar.

  5. 5

    Comparação entre organizações impossível · duas empresas dizem que estão no Nível 2. Sem escala comum, a comparação é ruído.

05

Gravidade estimada

2
Gravidade estimada
Nível 1–2
Vai do Nível 1 (Atenção) ao Nível 2 (Não conformidade moderada), dependendo da extensão do problema.
06

Testes recomendados

Teste 1 — A equipe distingue Estágio Succar de BIM Level UK?

Pergunte: qual a diferença entre Estágio BIM (Succar 2009) e BIM Level (PAS 1192-2)?

Sinal de problema: a equipe trata como sinônimos ou não conhece nenhuma das duas escalas.

Teste 2 — A equipe distingue Estágio de Maturidade?

Pergunte: qual a diferença entre estar no Estágio 2 e ter Maturidade alta no Estágio 2?

Resposta esperada: Estágio é posição na escala (onde); Maturidade é proficiência dentro desse estágio (quão bem).

Sinal de problema: respostas confundem os dois ou tratam como a mesma coisa.

Teste 3 — A organização já fez diagnóstico formal de maturidade?

Verifique se a organização já aplicou os cinco componentes de Succar (2010) — tecnologia, processo, política, pessoas, ambiente — com medição objetiva.

Sinal de problema: nunca houve diagnóstico. O nível declarado é autopercepção.

Teste 4 — O edital ou contrato cita a escala?

Abra o último edital ou contrato que mencionou nível de BIM. Procure a referência à escala (Succar, PAS 1192-2, outra).

Sinal de problema: o número aparece sem escala declarada.

07

Critérios de conformidade

A equipe distingue Estágio BIM (Succar 2009, escala 0-3 global) de BIM Level (PAS 1192-2, escala UK). Sabe que são escalas de origens e critérios diferentes.

A equipe distingue Estágio (onde a organização está) de Maturidade (quão bem opera nesse estágio). Os cinco componentes de Succar (2010) são conhecidos.

A organização já realizou diagnóstico formal de maturidade BIM usando framework reconhecido (Succar, IMI ou equivalente). O resultado é documentado.

Todo edital ou contrato que menciona nível de BIM declara a escala de referência e os critérios de conformidade.

A organização não usa nível de BIM como rótulo de marketing sem evidência auditável.

O plano de evolução da maturidade BIM é baseado em diagnóstico dos cinco componentes, não em autopercepção.

A equipe sabe explicar os Estágios 0, 1, 2 e 3 de Succar e o que cada um exige em termos de tecnologia, processo e política.

08

Ações corretivas

Curto prazo (30 dias):

  1. Adotar uma escala e declará-la. Escolher Succar (mais completo, global) ou UK BIM Level (se o contexto exigir), e usar sempre com a referência declarada. Nunca mais "Nível 2" sem dizer segundo quem.

  2. Distinguir Estágio de Maturidade no vocabulário interno. Estágio = posição (0-3). Maturidade = proficiência nos cinco componentes (tecnologia, processo, política, pessoas, ambiente). Circular a distinção na equipe.

  3. Incluir escala de referência em editais e contratos. Todo documento que mencionar nível de BIM declara a escala, os critérios e a evidência esperada.

Médio prazo (60-90 dias):

  1. Aplicar diagnóstico formal de Maturidade BIM. Usar o framework dos cinco componentes de Succar (2010) com medição objetiva. O resultado embasa o plano de evolução.

  2. Elaborar plano de evolução por componente. O diagnóstico mostra onde a organização está fraca (tecnologia? processo? política?). O plano ataca o componente certo.

  3. Treinar a equipe nas escalas e no framework. Workshop que apresenta Succar (2009, 2010) e distingue de UK BIM Level antes de qualquer autoavaliação.

09

Prevenção

  1. 1

    Escala declarada em todo documento · nenhum documento interno, contrato ou edital menciona nível de BIM sem declarar a escala de referência e os critérios.

  2. 2

    Diagnóstico periódico de maturidade · a organização aplica o framework de Succar (ou equivalente) anualmente. O progresso é medido, não estimado.

  3. 3

    Estágio e Maturidade no onboarding · todo novo membro da equipe aprende a distinção entre Estágio e Maturidade antes de operar.

  4. 4

    Plano de evolução baseado em diagnóstico · o investimento em BIM é direcionado pelo componente mais fraco, não pelo mais visível.

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Referências normativas

  • Succar (2009)Succar B. Building information modelling framework: A research and delivery foundation for industry stakeholders. Automation in Construction, 18(3), 357-375. Fundamentação dos Estágios BIM (0-3) como escala de maturidade metodológica global.
  • Succar (2010)Succar B. The five components of BIM performance measurement. Proceedings of CIB World Congress, Salford, 2010. Framework de Maturidade BIM: cinco componentes (tecnologia, processo, política, pessoas, ambiente) que medem a proficiência dentro de cada estágio.
  • Bew-Richards (2008)Diagrama wedge de BIM Levels (0-3) da estratégia governamental britânica. Popularizou os números de nível no contexto UK, com foco em interoperabilidade e formato de troca. Diferente dos Estágios Succar em origem e critério.
  • ABNT NBR ISO 19650-1:2022Conceitos e princípios. Enquadra o BIM como gestão da informação de ativos construídos. Os estágios e a maturidade medem o grau de adoção desse enquadramento pela organização.
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Quando contratar ajuda especializada

Medir maturidade parece exercício acadêmico — até que o diagnóstico revela que a organização investiu cinco anos no componente errado. Vale contratar quando:

  • A organização quer saber onde está de verdade — diagnóstico formal dos cinco componentes de Succar, com medição objetiva, substitui a autopercepção por dado.

  • Edital ou certificação exige evidência de nível — a equipe precisa demonstrar maturidade com base auditável, não com declaração genérica.

  • O plano de evolução precisa de direção — sem saber qual componente é mais fraco, o investimento vai para o mais visível, não para o mais necessário.

  • A equipe confunde escalas e precisa de nivelamento — workshop que apresenta Succar (2009, 2010) e distingue de UK BIM Level.

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Serviço relacionado

Serviço da Coordenar

Capacitação em maturidade BIM — diagnóstico e plano de evolução

A Coordenar aplica o framework dos cinco componentes de Succar (2010) com medição objetiva: tecnologia, processo, política, pessoas e ambiente. O resultado é um diagnóstico formal que substitui a autopercepção por dado, e um plano de evolução que ataca o componente certo. A equipe sai sabendo onde está, segundo qual escala, e o que precisa mudar para avançar.

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